O vício, ou transtorno por uso de substâncias, é uma doença crônica e complexa que afeta tanto o cérebro quanto o corpo. Caracteriza-se pelo uso compulsivo de uma ou mais substâncias, mesmo diante de sérias consequências para a saúde e a vida social. O vício age ativando as regiões do cérebro ligadas à recompensa, motivação, aprendizado, julgamento e memória.

Por que o vício é considerado uma doença?

A maioria das associações médicas define a dependência como uma doença. Assim como outras condições crônicas, como diabetes ou doenças cardíacas, o vício é resultado de uma combinação de fatores:

  • Biológicos e Genéticos: Fatores genéticos podem ser responsáveis por até metade da probabilidade de uma pessoa desenvolver a dependência;
  • Psicológicos: Aspectos da saúde mental, como ansiedade e depressão, podem aumentar a suscetibilidade;
  • Comportamentais e Ambientais: O ambiente e o estilo de vida também desempenham um papel crucial.

O uso persistente de substâncias como nicotina, álcool ou outras drogas causa alterações no funcionamento do cérebro. Sem o devido tratamento, o vício se agrava, tornando-se cada vez mais debilitante e, em casos extremos, fatal.

Como as substâncias alteram o cérebro

Nosso cérebro libera substâncias químicas que nos dão a sensação de prazer e recompensa quando necessidades básicas são satisfeitas, como comer e beber. Essas sensações nos incentivam a repetir comportamentos essenciais para a vida.

No entanto, as substâncias viciantes ativam esse mesmo sistema de recompensa, liberando níveis muito altos dessas substâncias químicas. Com o tempo, o cérebro tenta se reequilibrar, minimizando sua reação. Como resultado, a pessoa precisa de quantidades cada vez maiores da substância apenas para se sentir “normal” novamente.

Essa busca incessante pode levar a um desejo incontrolável pela substância, perda de interesse em atividades prazerosas e saudáveis, e uso contínuo mesmo diante das consequências negativas. Em casos graves, a pessoa pode chegar a negligenciar o próprio bem-estar e o dos outros.

Essas alterações cerebrais podem persistir mesmo após a interrupção do uso. Por isso, pessoas em recuperação podem ser mais vulneráveis a gatilhos (estímulos físicos ou ambientais associados ao uso de substâncias) que aumentam o risco de recaída.

Por que a força de vontade não é suficiente?

Embora a decisão inicial de usar uma substância possa ser uma escolha, uma vez que o cérebro é alterado pelo vício, o poder de escolha e a força de vontade ficam prejudicados. Talvez o sintoma mais claro do vício seja justamente a perda de controle.

O tratamento multidisciplinar é a forma mais eficaz de combater o vício. Uma equipe de profissionais, incluindo médicos, psicólogos e terapeutas, não apenas ajuda a interromper o uso, mas também fornece ferramentas e suporte para que a pessoa possa viver uma vida plena e saudável a longo prazo, mesmo após o tratamento.

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